Resultado de Içara coloca a Região Carbonífera em evidência e amplia o debate sobre alfabetização, aprendizagem e políticas educacionais.
O desempenho de Içara no Ideb 2025 voltou a colocar a educação da Região Carbonífera no centro do debate catarinense. O município foi reconhecido em Florianópolis durante a 2ª edição do Pacto de Excelência pela Educação Pública de Santa Catarina, realizada em 9 de setembro, após alcançar uma das melhores avaliações do Estado entre cidades com mais de 15 mil habitantes. A rede municipal registrou nota 7,6 nos anos iniciais do ensino fundamental e 6,4 nos anos finais, resultado que lhe garantiu o primeiro lugar na categoria destacada durante a premiação.
Mais do que uma classificação, o resultado levanta uma dúvida importante para famílias de Criciúma, Içara e de outros municípios do Sul: o que uma nota elevada no Ideb realmente significa para a aprendizagem das crianças e quais práticas podem ajudar outras redes a melhorar? A resposta passa por alfabetização, desempenho em português e matemática, aprovação escolar, formação de professores e acompanhamento permanente dos estudantes. O cenário também ganha relevância porque Santa Catarina avançou nas diferentes etapas da educação básica em 2025, segundo o Inep.
Por que o resultado de Içara chama atenção na Região Carbonífera?
O destaque de Içara não ocorreu isoladamente. O município alcançou 7,6 nos anos iniciais e 6,4 nos anos finais, enquanto o próprio histórico local mostra uma evolução em relação ao ciclo anterior, quando os índices eram de 6,9 e 6,1, respectivamente. O resultado também posicionou Içara como referência regional entre os municípios da Região Carbonífera, em um momento em que diferentes cidades catarinenses passaram a ser reconhecidas pelo desempenho obtido no Ideb 2025.
Para entender a dimensão desses números, é necessário saber que o Ideb não é simplesmente uma prova aplicada aos alunos. O indicador combina dados de aprovação escolar, provenientes do Censo Escolar, com o desempenho dos estudantes em avaliações do Saeb, considerando principalmente língua portuguesa e matemática. Por isso, uma nota elevada pode indicar uma combinação de aprendizagem e fluxo escolar favorável, mas não deve ser interpretada como uma fotografia completa de tudo o que acontece dentro das escolas.
O contexto regional torna o resultado ainda mais interessante. Criciúma também apresentou em 2025 seu maior Ideb histórico na rede municipal, chegando a 6,8 nos anos iniciais e 5,7 nos anos finais, com crescimento de 0,3 ponto nas duas etapas em comparação com 2023. O município ficou em segundo lugar entre as maiores cidades catarinenses nos dois segmentos, segundo os resultados divulgados após a avaliação nacional.
Esse conjunto de resultados sugere que existe uma evolução educacional relevante no Sul catarinense, mas também mostra que diferentes municípios podem avançar por caminhos próprios. Em vez de olhar apenas para o ranking, famílias e gestores podem usar os dados para identificar quais etapas ainda apresentam dificuldades, acompanhar a evolução das escolas e cobrar políticas capazes de transformar bons indicadores em aprendizagem consistente.
O que o Ideb revela sobre aprendizagem e qualidade das escolas?
Um ponto importante é que o Ideb deve ser analisado junto com outros indicadores. Uma escola pode apresentar uma nota elevada e ainda enfrentar desafios relacionados à alfabetização, inclusão, infraestrutura, defasagem de aprendizagem ou desigualdade entre diferentes grupos de estudantes. Por outro lado, uma evolução gradual do índice pode demonstrar que políticas de acompanhamento, formação profissional e recuperação da aprendizagem estão produzindo resultados concretos ao longo do tempo.
Em Santa Catarina, os dados de 2025 mostram avanço nas três principais etapas avaliadas. Entre 2023 e 2025, o Ideb estadual passou de 6,4 para 6,7 nos anos iniciais do ensino fundamental e de 5,2 para 5,4 nos anos finais; no ensino médio, avançou de 4,2 para 4,5. Considerando somente as redes públicas, Santa Catarina passou de 6,2 para 6,5 nos anos iniciais, de 4,9 para 5,2 nos anos finais e de 3,8 para 4,3 no ensino médio.
Esses números ajudam a explicar por que a alfabetização ganhou espaço na agenda estadual. O Pacto de Excelência pela Educação Pública de Santa Catarina e o 1º Seminário Escola Alfabetizadora reuniram 1.793 profissionais dos 295 municípios catarinenses para discutir estratégias de aprendizagem, liderança educacional, governança e alfabetização na idade adequada. O objetivo é ampliar a capacidade das redes municipais de acompanhar resultados e compartilhar experiências que possam ser adaptadas às diferentes realidades locais.
Para os pais, o dado mais importante talvez seja justamente compreender que o desempenho educacional não depende apenas da nota final do Ideb. A evolução de uma criança precisa ser acompanhada pela escola e pela família ao longo dos anos, especialmente em leitura, escrita e matemática. Quando dificuldades são identificadas cedo, existe maior possibilidade de oferecer reforço e estratégias pedagógicas antes que a defasagem se acumule e comprometa etapas posteriores da formação.
Como os bons resultados podem influenciar o futuro da educação no Sul?
O reconhecimento de Içara pode funcionar como uma oportunidade para ampliar a troca de experiências entre municípios próximos. A Região Carbonífera possui cidades com diferentes tamanhos, estruturas administrativas e características socioeconômicas, mas compartilha desafios relacionados à formação de professores, aprendizagem, permanência dos estudantes e preparação para o mercado de trabalho. Comparar resultados sem considerar essas diferenças seria insuficiente; o mais útil é identificar práticas que possam ser adaptadas a cada rede.
O próprio modelo de premiação estadual reforça essa lógica ao reconhecer municípios com desempenhos distintos e estimular a circulação de experiências. Urussanga, por exemplo, recebeu reconhecimento após alcançar 7,2 nos anos iniciais e aparecer entre os melhores resultados de Santa Catarina entre municípios com mais de 15 mil habitantes. Forquilhinha também apareceu entre os destaques estaduais, mostrando que o desempenho educacional da região não está concentrado em uma única cidade.
Para Criciúma, Içara, Urussanga, Forquilhinha e os demais municípios do Sul, a principal oportunidade está em transformar os resultados do Ideb em planejamento de longo prazo. Isso significa acompanhar estudantes que apresentam dificuldades, fortalecer a formação continuada dos professores, melhorar a integração entre escolas e famílias e utilizar os dados de avaliações para orientar decisões. Também significa evitar que uma boa posição em um ranking seja tratada como ponto final, já que os próprios resultados nacionais mostram diferenças importantes entre etapas e redes.
Nos próximos ciclos, a tendência é que a discussão sobre qualidade da educação seja cada vez mais ligada à capacidade de interpretar dados e agir rapidamente sobre os problemas identificados. O Inep informa que os resultados do Saeb permitem análises por diferentes níveis e que, combinados com informações do Censo Escolar, ajudam a construir o Ideb. Para o Sul catarinense, acompanhar essa evolução pode ajudar a identificar quais estratégias realmente sustentam bons resultados e quais precisam ser revistas.
A experiência recente de Içara mostra, portanto, que o desempenho educacional pode se tornar um ativo importante para o desenvolvimento regional. Uma rede pública capaz de melhorar aprendizagem e alfabetização contribui não apenas para o presente das famílias, mas também para formar trabalhadores mais preparados, ampliar oportunidades e fortalecer a capacidade econômica das cidades. Para Criciúma e municípios vizinhos, o próximo desafio será fazer com que os bons indicadores se mantenham ao longo dos próximos ciclos e avancem para outras etapas da trajetória escolar.
