A memória jornalística de Criciúma passou a alcançar leitores de diferentes cidades e até de outros países por meio da Hemeroteca Digital Susana Dal Farra Naspolini. No primeiro mês de funcionamento, a plataforma ultrapassou 6 mil acessos e registrou aproximadamente 580 jornais consultados. O balanço foi divulgado pela Fundação Cultural de Criciúma em 24 de agosto de 2026.
O resultado considera o período iniciado em 23 de julho, quando o espaço foi lançado no Centro Cultural Jorge Zanatta durante a 19ª Feira do Livro de Criciúma. Além das consultas realizadas, 116 novos exemplares foram incorporados ao acervo online no primeiro mês. A iniciativa é conduzida pela Fundação Cultural de Criciúma em parceria com a Secretaria Municipal de Governança.
Plataforma aproxima jornais antigos do público
A Hemeroteca Digital foi criada para preservar publicações físicas que fazem parte do Acervo Histórico Pedro Milanez e facilitar o acesso a documentos importantes para a história local. Os jornais estão organizados em formato digital, permitindo que moradores, estudantes, pesquisadores, jornalistas e interessados em genealogia consultem o conteúdo sem depender exclusivamente do manuseio dos exemplares originais.
Segundo a Fundação Cultural, a ferramenta também contribui para reduzir o desgaste provocado pelo tempo e pela consulta frequente aos jornais impressos. A digitalização protege o material físico e, ao mesmo tempo, amplia as possibilidades de pesquisa sobre temas como política, economia, cultura, desenvolvimento urbano, relações comunitárias e cotidiano de Criciúma ao longo das décadas.
Um dos exemplares que mais chamou atenção no primeiro mês foi uma edição da Folha do Povo publicada em 1951, que alcançou 155 visualizações. O dado mostra o interesse por registros de diferentes períodos da formação do município, especialmente em uma região marcada por transformações econômicas e sociais ligadas à mineração, à indústria e à expansão urbana.
Acessos partiram de várias cidades e países
Embora Criciúma tenha concentrado a maior parcela das visitas, a plataforma também despertou interesse fora do município. De acordo com o levantamento divulgado pela FCC, 36,85% dos acessos foram registrados em Criciúma. Na sequência apareceram Florianópolis, com 14,46%; São Paulo, com 6,31%; Porto Alegre, com 4,22%; e Içara, com 3,03%.
A Hemeroteca também contabilizou acessos originados nos Estados Unidos, Alemanha, França, Portugal, Argentina, Irlanda, Suécia, Uruguai, Chile, Paraguai, Espanha, Suíça, Austrália e Canadá. A distribuição reforça o potencial do acervo para pessoas que pesquisam a história de Criciúma mesmo estando fora de Santa Catarina, incluindo descendentes de famílias que deixaram a região e pesquisadores interessados na formação do Sul catarinense.
O lançamento da plataforma, conforme registrado em outra publicação da Fundação Cultural de Criciúma, marcou a criação da primeira hemeroteca pública municipal de Santa Catarina. O projeto também presta homenagem à jornalista Susana Dal Farra Naspolini Torres, natural de Criciúma e reconhecida por sua trajetória na televisão e no jornalismo comunitário.
Pesquisa por palavras facilita localização de informações
Um dos recursos disponíveis é a tecnologia de Reconhecimento Óptico de Caracteres, conhecida pela sigla OCR. Ela permite transformar o conteúdo visualizado nas páginas digitalizadas em texto pesquisável. Assim, o usuário pode procurar diretamente por nomes de pessoas, empresas, bairros, instituições e acontecimentos, sem precisar abrir todas as edições página por página.
O mecanismo pode ser útil para diferentes tipos de investigação. Um estudante pode localizar referências a uma escola ou a um evento histórico; um pesquisador pode acompanhar a evolução de determinado bairro; uma família pode encontrar menções a parentes em notícias antigas; e jornalistas podem consultar registros para contextualizar fatos atuais. A ferramenta transforma o acervo em uma fonte de consulta mais rápida e acessível.
Acervo ainda deve ser ampliado
Além dos jornais já disponibilizados, a Fundação Cultural informou que mantém 906 exemplares históricos, 24 caixas de documentos administrativos, cerca de 31,2 mil páginas e uma coleção de fotografias antigas distribuídas em 48 gavetas. Parte desse material poderá integrar novas etapas de organização e digitalização, conforme o andamento do projeto e a preparação dos documentos.
A FCC também destacou que a Hemeroteca foi concebida como uma iniciativa contínua. Novos jornais devem ser incorporados gradativamente, enquanto materiais históricos preservados por moradores podem contribuir para ampliar a memória documental do município. A consulta é gratuita e está disponível na plataforma digital da Prefeitura de Criciúma, fortalecendo o acesso público a registros que ajudam a compreender a construção da cidade.
