Rodrigo Balassiano vê nos créditos de carbono florestal uma nova camada de valor para os Fiagros da ID CTVM

Isabella Corvera
Isabella Corvera Notícias
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ID CTVM

Projetos florestais financiados por meio de Fiagros passam a gerar, além da receita tradicional com madeira e celulose, créditos de carbono negociáveis no mercado voluntário, ativo que começa a ser incorporado à análise de valor desse tipo de fundo

Fundos de Investimento nas Cadeias Produtivas Agroindustriais voltados a projetos de silvicultura, tradicionalmente estruturados em torno da receita futura com a venda de madeira para as indústrias de celulose, papel e construção civil, passaram a incorporar uma segunda fonte potencial de receita: os créditos de carbono gerados pela capacidade de sequestro de carbono das áreas de floresta plantada e, em alguns casos, das áreas de preservação mantidas dentro da mesma propriedade rural. Esses créditos, negociados principalmente no mercado voluntário por empresas que buscam compensar suas próprias emissões, adicionam uma camada de valor ao ativo florestal que vai além da comercialização tradicional da madeira.

A geração de créditos de carbono depende de metodologias específicas de certificação, que quantificam o volume de carbono efetivamente sequestrado por um projeto florestal ao longo do tempo, processo conduzido por certificadoras independentes reconhecidas no mercado voluntário internacional. Uma vez certificados, esses créditos podem ser vendidos separadamente da madeira, criando um fluxo de receita adicional que gestoras especializadas em Fiagros florestais começam a considerar na estruturação de novas operações.

Dupla fonte de receita exige metodologia de avaliação específica

Diferentemente de um Fiagro estruturado exclusivamente em torno da receita com madeira, um fundo que também considera a geração de créditos de carbono precisa avaliar duas fontes de receita com dinâmicas de mercado distintas: o preço da madeira, negociado em um mercado físico já consolidado, e o preço do crédito de carbono, negociado em um mercado voluntário ainda em maturação, com maior volatilidade e menor histórico de referência de preços no Brasil.

Para Rodrigo Balassiano, diretor da ID CTVM, essa dupla fonte de receita exige um administrador fiduciário capaz de acompanhar tanto a dinâmica tradicional do mercado madeireiro quanto a evolução ainda recente do mercado de créditos de carbono.

“Os créditos de carbono florestal ainda são um mercado em formação no Brasil, com metodologias de certificação e preços de referência menos consolidados do que os observados no mercado tradicional de madeira. Um administrador fiduciário que incorpora esse tipo de receita à estruturação de um Fiagro precisa acompanhar de perto a evolução dessas metodologias, para que a expectativa de receita apresentada aos investidores seja tecnicamente sustentável”, explica o executivo.

A ID CTVM atua como administradora fiduciária e custodiante de fundos estruturados voltados ao agronegócio, o que inclui operações lastreadas em projetos florestais com potencial de geração de créditos de carbono, aplicando a esses ativos processos de auditoria de lastro adaptados à dupla natureza de receita desse tipo de estrutura.

Certificação e monitoramento contínuo sustentam a credibilidade do crédito

A validade de um crédito de carbono depende de um processo de monitoramento contínuo da área florestal certificada, que comprova ao longo do tempo que o sequestro de carbono originalmente projetado está de fato ocorrendo, sob risco de o crédito perder validade caso a área sofra desmatamento, incêndio ou outro evento que comprometa a integridade do projeto. Essa exigência de monitoramento contínuo se soma às práticas já tradicionais de acompanhamento de projetos florestais financiados por Fiagros, ampliando o escopo de informações que administradores fiduciários e gestores acompanham ao longo da vida útil da operação.

Tecnologias de sensoriamento remoto por satélite, já utilizadas em outras frentes de monitoramento agrícola financiadas por meio de Fiagros, também têm sido incorporadas ao acompanhamento de projetos florestais com componente de carbono, permitindo identificar variações na cobertura vegetal da área certificada sem depender exclusivamente de vistorias presenciais periódicas.

Mercado voluntário se diferencia do mercado regulado de carbono

É importante distinguir o mercado voluntário de créditos de carbono, no qual empresas compram créditos por iniciativa própria para compensar emissões de forma voluntária, do mercado regulado, estruturado a partir de limites obrigatórios de emissão impostos a determinados setores por legislação específica. Os projetos florestais financiados por meio de Fiagros no Brasil atuam, até o momento, majoritariamente dentro do mercado voluntário, o que implica uma dinâmica de precificação mais atrelada à demanda corporativa por compensação de emissões do que a um arcabouço regulatório obrigatório, característica que administradores fiduciários e gestores consideram ao estruturar expectativas de receita para esse tipo de operação.

Empresas de setores com maior exposição a compromissos públicos de neutralidade de carbono, como as de bens de consumo, tecnologia e serviços financeiros, figuram entre os principais compradores de créditos gerados por projetos florestais brasileiros, o que confere a esse mercado uma base de demanda distribuída entre diferentes setores da economia, tanto nacional quanto internacional.

Perspectivas para os Fiagros com componente de carbono florestal

Com o mercado voluntário de créditos de carbono ganhando maturidade gradual no Brasil e empresas de diferentes setores ampliando compromissos de compensação de emissões, a tendência é que Fiagros florestais com componente de geração de créditos de carbono ganhem espaço complementar dentro do crédito estruturado voltado ao agronegócio. Para administradores fiduciários especializados nesse segmento, acompanhar a evolução das metodologias de certificação e do próprio mercado de créditos de carbono deve seguir como um fator relevante para sustentar a confiança de investidores nesse tipo de operação, ampliando gradualmente o leque de fontes de receita consideradas na estruturação de fundos florestais no país.

 

Sobre a ID CTVM 

A ID CTVM é uma instituição especializada em infraestrutura para o mercado de capitais, com serviços de administração fiduciária, custódia, escrituração, controladoria e distribuição de fundos de investimento. Fundada em 2020, a companhia reúne atualmente mais de 550 fundos e mais de R$ 50 bilhões sob administração e custódia, com presença relevante em estruturas como FIDCs, FIPs e FIIs. Combinando tecnologia, governança, conhecimento regulatório e eficiência operacional, a ID oferece suporte a gestores, investidores, empresas e demais participantes do mercado, contribuindo para operações mais seguras, eficientes e transparentes.

 

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