ZPE de Imbituba avança e pode transformar o Sul de Santa Catarina em polo de exportação e novos investimentos

Isabella Corvera
Isabella Corvera Santa Catarina
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ZPE de Imbituba avança e pode transformar o Sul de Santa Catarina em polo de exportação e novos investimentos

Concessão da Zona de Processamento de Exportação prevê operação por 35 anos e pode ampliar a atração de indústrias, serviços e empregos na região.

A Zona de Processamento de Exportação (ZPE) de Imbituba ganhou novo impulso em agosto e passou a ocupar posição estratégica entre os projetos de infraestrutura econômica de Santa Catarina. O modelo de concessão estruturado pelo Governo do Estado prevê que uma empresa privada implante a infraestrutura mínima, opere, administre e explore a área durante 35 anos. A proposta também amplia as possibilidades de ocupação do empreendimento, permitindo atividades industriais e serviços destinados à exportação. (PPI-SC)

O projeto chama atenção porque a ZPE está localizada a apenas 6 quilômetros do Porto de Imbituba, criando uma conexão direta entre produção, processamento e logística internacional. Para o Sul catarinense, isso abre uma discussão que vai além da construção de uma área industrial: quais empresas podem ser atraídas, quantos empregos podem surgir e como Criciúma e os municípios vizinhos podem se beneficiar de uma nova estrutura voltada ao comércio exterior? (PPI-SC)

A resposta depende da capacidade de transformar localização privilegiada em negócios efetivos. Uma ZPE não gera desenvolvimento automaticamente, mas pode funcionar como instrumento para reduzir obstáculos à instalação de empresas exportadoras, integrar fornecedores e aproximar a indústria regional de mercados internacionais. Em uma Santa Catarina que enfrenta mudanças nas cadeias globais e precisa diversificar destinos de exportação, esse movimento ganha importância adicional.

Para Criciúma e o entorno, o projeto também pode criar oportunidades indiretas em transporte, armazenagem, tecnologia, manutenção industrial, serviços empresariais, qualificação profissional e fornecimento de componentes. O impacto, portanto, pode alcançar muito mais empresas do que aquelas que eventualmente se instalarem dentro da área da ZPE.

Por que a ZPE de Imbituba pode mudar a logística do Sul catarinense

O principal diferencial da ZPE de Imbituba é a proximidade com uma infraestrutura portuária já existente. A localização a aproximadamente seis quilômetros do Porto de Imbituba reduz a distância entre as atividades industriais e o embarque de mercadorias, uma característica especialmente relevante para empresas que dependem de exportações regulares. (PPI-SC)

Na prática, essa integração pode permitir que uma empresa instalada na região organize sua cadeia produtiva pensando desde o início no mercado externo. Matérias-primas podem chegar por diferentes modais, produtos podem ser processados ou industrializados no entorno do porto e a mercadoria final pode seguir para compradores internacionais com uma estrutura logística mais integrada. Quanto maior o volume de operações, maior tende a ser a oportunidade de desenvolver serviços especializados em torno desse ecossistema.

O modelo de concessão também representa uma tentativa de tornar o empreendimento mais atrativo ao capital privado. Segundo o Programa de Parcerias e Investimentos de Santa Catarina, a concessionária será responsável por implantar a infraestrutura mínima prevista no contrato e administrar a área durante 35 anos. A estrutura foi desenhada para conferir maior flexibilidade ao investidor e ampliar as possibilidades de ocupação da ZPE. (PPI-SC)

Essa flexibilidade é importante porque os mercados internacionais mudam rapidamente. Uma estrutura limitada a poucos tipos de indústria poderia perder competitividade caso a demanda mundial se alterasse. Ao admitir também serviços voltados à exportação, o projeto pode criar um ambiente mais diversificado, reunindo atividades industriais, logísticas e tecnológicas que se complementam.

O momento econômico também favorece a discussão. A indústria catarinense acumulou queda de 1,7% na produção no primeiro semestre de 2026, segundo levantamento divulgado pela FIESC, enquanto setores como borracha e plástico e alimentos apresentaram desempenho positivo e outros segmentos enfrentaram retração. (FIESC) Nesse cenário, novas estruturas capazes de estimular investimentos e ampliar mercados podem ajudar a reduzir a dependência de ciclos específicos da economia doméstica.

Quais setores podem aproveitar a nova oportunidade de exportação

A ZPE pode ser especialmente interessante para empresas que precisam combinar produção industrial com acesso eficiente ao comércio exterior. Alimentos processados, produtos químicos, componentes industriais, máquinas, equipamentos, materiais manufaturados e tecnologias aplicadas à produção estão entre os segmentos que podem avaliar uma estrutura desse tipo, desde que atendam às regras e condições estabelecidas para instalação e operação.

Para o Sul de Santa Catarina, a vantagem está na possibilidade de conectar empresas novas às cadeias produtivas já existentes. Criciúma possui uma base industrial diversificada e uma rede de fornecedores que pode prestar serviços ou produzir componentes para empreendimentos maiores. Se novos projetos forem atraídos para a região de Imbituba, parte dessa demanda poderá ser contratada em municípios próximos, ampliando o efeito econômico do investimento.

O comércio exterior catarinense já possui forte presença em setores industriais e agroindustriais, mas enfrenta um ambiente internacional mais complexo. A FIESC destacou recentemente que o acordo Mercosul-EFTA pode abrir novas oportunidades para a indústria estadual, com previsão de redução ou eliminação de tarifas para grande parte das transações de bens entre os mercados envolvidos. (FIESC) A existência de novas estruturas logísticas pode ajudar empresas catarinenses a aproveitar melhor oportunidades desse tipo.

A ZPE também pode estimular investimentos em tecnologia. Empresas que pretendem exportar precisam atender padrões internacionais de qualidade, rastreabilidade, segurança, eficiência e sustentabilidade. Isso tende a aumentar a procura por automação, sistemas de gestão, controle de qualidade, soluções logísticas e profissionais especializados, criando oportunidades para fornecedores de tecnologia e serviços da própria região.

Outro efeito possível está no mercado de trabalho. A implantação da infraestrutura deve demandar profissionais durante a fase de construção, enquanto a operação posterior poderá gerar vagas em indústria, logística, manutenção, administração, comércio exterior e serviços. O impacto mais importante, porém, pode vir dos empregos indiretos criados em fornecedores e empresas que se instalarem no entorno.

Para Criciúma, esse processo reforça a importância de preparar mão de obra antes que a demanda apareça. Cursos técnicos, formação profissional e especializações em logística, automação, idiomas, comércio exterior, tecnologia e manutenção industrial podem aumentar a capacidade regional de aproveitar os novos investimentos. Assim, o desenvolvimento da ZPE pode se transformar também em uma oportunidade para educação profissional.

O que precisa acontecer para a ZPE gerar empregos e desenvolvimento regional

O avanço da concessão é relevante, mas representa apenas uma etapa. Para que a ZPE de Imbituba se transforme em um polo econômico de fato, será necessário concluir a infraestrutura prevista, atrair empresas competitivas e criar condições para que elas permaneçam no território por muitos anos. A localização próxima ao porto é uma vantagem importante, mas não elimina fatores como energia, acesso rodoviário, conectividade, mão de obra, segurança jurídica e custos logísticos.

A experiência internacional mostra que áreas voltadas à exportação precisam de escala e especialização para gerar efeitos significativos. Quanto maior a concentração de empresas complementares, maior a possibilidade de formação de uma cadeia produtiva regional. Uma indústria pode contratar transportadoras locais, empresas de manutenção, laboratórios, serviços de tecnologia, consultorias e fornecedores de peças, fazendo com que o benefício econômico se espalhe por diferentes municípios.

Santa Catarina já possui uma economia fortemente integrada ao comércio internacional, mas a diversificação será cada vez mais importante. A Epagri/Cepa, em boletim publicado em agosto, destacou os efeitos das novas políticas comerciais dos Estados Unidos sobre o agronegócio catarinense e avaliou riscos e perspectivas para as exportações estaduais. (Observatório Agro Catarinense) A mudança demonstra como decisões tomadas no exterior podem afetar rapidamente empresas e produtores locais.

Nesse contexto, ampliar a infraestrutura de exportação pode funcionar como estratégia de longo prazo. O objetivo não deve ser apenas aumentar o volume embarcado, mas criar capacidade para que empresas catarinenses desenvolvam produtos de maior valor agregado e conquistem novos mercados. Para isso, será necessário combinar logística, inovação, qualificação profissional e políticas de atração de investimentos.

Os próximos meses serão importantes para acompanhar os passos da concessão e os primeiros sinais de interesse empresarial. Se o projeto avançar conforme planejado, Imbituba poderá reforçar sua posição como plataforma logística do Sul catarinense, enquanto Criciúma e outros municípios da região poderão participar como fornecedores de produtos, serviços e mão de obra. A oportunidade mais relevante está justamente nessa integração: transformar uma infraestrutura localizada em Imbituba em uma rede regional de negócios, inovação, empregos e exportações.

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