Conta de luz sobe em Santa Catarina: veja quanto aumenta para famílias, empresas e indústrias e o impacto no Sul do Estado

Isabella Corvera
Isabella Corvera Notícas
10 Min de leitura
Conta de luz sobe em Santa Catarina: veja quanto aumenta para famílias, empresas e indústrias e o impacto no Sul do Estado

Novo reajuste da Celesc já está valendo e pode pressionar o orçamento doméstico, os custos industriais e os preços de produtos e serviços em Santa Catarina.

A conta de luz ficou mais cara em Santa Catarina desde sábado, 22 de agosto, e o aumento já começa a afetar consumidores residenciais, empresas e indústrias. A Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) aprovou a revisão tarifária periódica da Celesc Distribuição, estabelecendo efeito médio de 10,82% para os consumidores atendidos pela empresa. Para consumidores residenciais, o índice aprovado foi de 9,29%, enquanto o impacto médio na baixa tensão ficou em 9,26% e na alta tensão chegou a 14,16%. A Celesc atende aproximadamente 3,6 milhões de unidades consumidoras no Estado. (Serviços e Informações do Brasil)

A mudança interessa diretamente aos moradores de Criciúma e do Sul catarinense porque a energia elétrica representa uma despesa recorrente para famílias e um dos principais componentes de custo para diversos setores produtivos. O reajuste também ocorre em um momento no qual a bandeira tarifária permanece amarela, acrescentando cobrança sobre o consumo. Por isso, entender o que mudou, por que a tarifa aumentou e quais medidas podem reduzir o impacto se tornou uma questão prática para o orçamento de consumidores e empresas.

Por que a conta de luz da Celesc aumentou em agosto de 2026

O aumento não corresponde simplesmente a uma decisão da distribuidora de elevar seus preços. A tarifa é definida dentro de um processo regulatório conduzido pela Aneel, que considera diferentes componentes relacionados à geração, transmissão, distribuição, encargos setoriais e mecanismos financeiros. No caso da revisão da Celesc, a agência informou que os principais fatores de pressão foram os custos de transmissão, os encargos setoriais e componentes financeiros associados ao ciclo tarifário atual e ao anterior. (Serviços e Informações do Brasil)

Isso ajuda a explicar por que o percentual percebido pelo consumidor pode ser diferente conforme o tipo de ligação e o perfil de consumo. A Aneel aprovou 9,29% para a classe residencial B1, enquanto consumidores de alta tensão tiveram impacto médio de 14,16%. Como a alta tensão inclui consumidores com características distintas, o efeito final sobre cada empresa depende da modalidade tarifária, do volume utilizado e da estrutura de consumo. (Serviços e Informações do Brasil)

Para uma família, o aumento tende a aparecer gradualmente na fatura, dependendo do consumo mensal. Uma residência que mantenha exatamente o mesmo consumo não necessariamente verá a conta subir exatamente 9,29%, porque a fatura inclui outros componentes, tributos e eventuais cobranças adicionais. Além disso, o sistema de bandeiras tarifárias pode alterar o valor pago conforme as condições de geração de energia no país.

Em agosto, por exemplo, a bandeira tarifária está amarela. A Aneel estabeleceu cobrança adicional de R$ 1,885 a cada 100 quilowatts-hora consumidos, devido a condições menos favoráveis de geração durante o período seco. (Serviços e Informações do Brasil) Assim, o consumidor catarinense enfrenta simultaneamente a nova tarifa da distribuidora e uma cobrança adicional vinculada às condições de geração nacional.

Para quem mora em Criciúma, o efeito pode ser percebido principalmente em períodos de maior utilização de equipamentos elétricos, como ar-condicionado, chuveiro, secadoras, aquecedores e eletrodomésticos. Em empresas, o impacto tende a ser mais complexo, pois máquinas, sistemas de climatização, refrigeração e outros equipamentos podem representar parcela significativa das despesas operacionais.

Por que a alta da energia preocupa a indústria e os negócios de Criciúma

O impacto econômico do reajuste merece atenção especial em uma região industrial como o Sul de Santa Catarina. Empresas que utilizam grande quantidade de eletricidade precisam incorporar a nova tarifa aos cálculos de produção, contratos, margens de lucro e planejamento financeiro. Quando a energia representa uma parcela relevante do custo, uma alta de dois dígitos pode alterar decisões sobre investimentos, modernização de equipamentos e até localização de novas operações.

O problema não está restrito às indústrias diretamente afetadas pela tarifa de alta tensão. Empresas comerciais e prestadoras de serviços também podem enfrentar aumento de despesas, principalmente aquelas que dependem de refrigeração, climatização, iluminação intensa ou equipamentos elétricos durante muitas horas do dia. Padarias, supermercados, restaurantes, oficinas, clínicas, hotéis e estabelecimentos industriais são exemplos de atividades nas quais a eficiência energética pode ter influência direta sobre a rentabilidade.

Esse aumento também pode chegar ao consumidor de maneira indireta. Uma empresa que tenha custos maiores de energia pode tentar compensar a diferença por meio de preços mais elevados, redução de despesas em outras áreas ou ganhos de produtividade. O resultado dependerá da capacidade de cada negócio de absorver o impacto sem perder competitividade. Em cadeias produtivas muito concorridas, entretanto, repassar integralmente os custos pode ser difícil.

Para Criciúma e municípios vizinhos, o tema ganha relevância porque a economia regional reúne indústria, comércio, serviços e atividades que dependem de infraestrutura energética confiável. O reajuste, portanto, cria ao mesmo tempo um desafio e um incentivo para investimentos em eficiência, automação e fontes alternativas de energia. Empresas que conseguem consumir menos para produzir a mesma quantidade tendem a ficar menos vulneráveis a novas oscilações tarifárias.

A própria lógica da revisão tarifária mostra que o custo da eletricidade não depende apenas do consumo local. Transmissão, encargos e outros componentes do sistema nacional influenciam a tarifa. Por isso, mesmo uma empresa eficiente não consegue controlar todos os fatores que determinam sua conta. O caminho possível é atuar sobre aquilo que está ao alcance do consumidor: gestão da demanda, manutenção de equipamentos, redução de desperdícios e análise de alternativas energéticas.

Como famílias e empresas podem reduzir o impacto da nova tarifa de energia

A primeira medida para famílias é acompanhar o consumo, e não apenas o valor final da conta. Uma elevação inesperada pode indicar aumento de uso, mudança de hábitos ou funcionamento ineficiente de algum equipamento. Comparar o consumo em quilowatts-hora de diferentes meses ajuda a identificar se o problema está no preço da energia ou em uma utilização maior da eletricidade.

Equipamentos que produzem calor ou frio costumam merecer atenção especial. Chuveiros elétricos, aparelhos de ar-condicionado, secadoras, geladeiras e freezers podem representar consumo expressivo dependendo do modelo e do tempo de funcionamento. Manutenção adequada, limpeza de filtros, escolha de temperaturas moderadas e substituição gradual de aparelhos antigos por equipamentos mais eficientes podem reduzir o consumo sem exigir mudanças radicais na rotina.

Nas empresas, o controle pode ser mais sofisticado. Uma indústria pode avaliar horários de funcionamento, demanda contratada, motores, sistemas de ar comprimido, iluminação, climatização e equipamentos que permanecem ligados sem necessidade. O investimento em automação e monitoramento também permite identificar desperdícios que não são perceptíveis apenas pela leitura da fatura mensal.

O cenário ainda reforça o interesse por geração própria, especialmente a solar fotovoltaica. A viabilidade econômica, porém, precisa ser calculada individualmente, considerando perfil de consumo, espaço disponível, financiamento, manutenção, regras de compensação e prazo de retorno do investimento. Para pequenas empresas e propriedades rurais do Sul catarinense, a geração distribuída pode ser uma alternativa, mas não significa que qualquer instalação será automaticamente vantajosa.

Outro ponto importante é acompanhar as próximas decisões regulatórias. A revisão da Celesc já entrou em vigor, mas o setor elétrico continua passando por mudanças relacionadas à geração, transmissão, distribuição, encargos e eventos climáticos. A própria Aneel discutiu recentemente os impactos do chamado Super El Niño sobre a resiliência do sistema elétrico brasileiro, mostrando que condições climáticas extremas também podem ganhar peso no planejamento energético. (Serviços e Informações do Brasil)

Para Santa Catarina, o cenário aponta para uma necessidade cada vez maior de eficiência e planejamento. Famílias terão de observar o consumo com mais atenção, enquanto empresas precisarão tratar a energia como variável estratégica de competitividade. Em Criciúma e no Sul catarinense, onde indústria e serviços possuem forte participação na economia, reduzir desperdícios e investir em tecnologias eficientes pode ser uma forma de transformar uma pressão de custos em estímulo à modernização. Nos próximos meses, o comportamento das tarifas, das bandeiras e do consumo será decisivo para determinar quanto desse aumento chegará efetivamente ao orçamento de cada catarinense.

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